“Nunca mais começava a época” – Crónica de Ricardo Dias
Às portas de mais um fim de semana de competição há ainda tempo para debruçar-me sobre as duas competições que tive oportunidade de acompanhar.
Fafe e a sua Praça 25 de Abril são para mim símbolo da origem. Afinal foi lá que gravei a primeira prova e é lá que tem vindo a ser assinado o protocolo com a Associação de Ciclismo do Minho que prevê a Associação Roda na Frente como “televisão” oficial das provas de estrada daquela associação.
No que respeita às provas há várias notas que gostava de partilhar convosco e desde já deixem-me salvaguardar o seguinte: se me esquecer de alguém ou de alguma situação não será por maldade mas porque a memória me atraiçoou.
Foi bom voltar a rever pessoas que deixamos de ver por algum tempo. Ainda antes da partida sentia em cada ciclista aquele nervosismo miudinho, habitual a cada prova mas reforçado por ser o arranque da época e para alguns a primeira experiência neste escalão e na modalidade.
Em Fafe tal como em Alcobaça vi pelotões bem compostos e equilíbrios competitivos que penso serão bons para a evolução destes dois escalões em 2015. Temos várias equipas a excelente nível e vários atletas cujo potencial se iguala. Uma conclusão: vamos ter espetáculo!
Da prova de cadetes, no sábado, realce para o Mato Cheirinhos / Liberty Seguros / Vila Galé e para a Tensai / Santa Marta pela entrega e exuberância que demonstraram na frente do grande grupo.
Gostei de ver alguns atletas do Higiserviços/GDM/Alexandre Ruas e tive a oportunidade de dar os parabéns ao seu diretor Nuno Alves, no final da prova, pelo renascimento desta equipa. Confesso que me entusiasma ver aparecer algumas formações que em anos anteriores se ofuscaram por razões várias.
Vitória “tranquila” para Gonçalo Ferreira que aproveitou o momento físico trazido da pista para se impor face aos demais, designadamente a João Costa (C.C.Barcelos/ AFF /Orbea / Onda) que cumpriu em Fafe a estreia competitiva em 2015.
“Quem passa em Alcobaça, não passa sem lá voltar” assim diz a letra da música de Maria de Lurdes Resende e de facto assim aconteceu. Um ano depois o pelotão de juniores regressou ao mesmo local para o arranque da época.
Foram a meu ver visíveis os esforços e consequentes resultados na melhoria de certos pormenores que ajudaram a engrandecer o evento. De realçar o “Livro” da prova que a organização (Alcobaça Clube Ciclismo) preparou e distribuiu por cada equipa. É este o caminho que devemos seguir!
Há outros aspetos que também marcaram o Troféu Cidade de Alcobaça mas pela negativa. O infeliz engano no percurso de João Maio ou as falhas exibidas na classificação da prova são alguns dos aspetos que devem ser considerados por quem de direito para melhorias futuras.
No que respeita às bicicletas foi possível ver as habituais quedas de inicio de época e a falta de preparação de alguns atletas que em nada deve beliscar o percurso pensado e percorrido pelos mais de 140 ciclistas presentes. Afinal é com provas com características e distâncias semelhantes às de Alcobaça que faremos avançar positivamente a modalidade e permitir aos jovens um crescimento que os coloque ao nível do exibido além fronteiras e lhes permita discutir com esses as provas que disputam fora do país.
Em termos coletivos vi ao longo de vários quilómetros a nova equipa da Sicasal / Liberty Seguros/Bombarralense colocar-se na dianteira do pelotão mostrando com isso uma organização e entrosamento difíceis de conseguir nesta fase da época. Lembro-me também de ver o C.C. Avidos / Metalização A. Lemos, Lda a tentar minimizar diferenças para Daniel Viegas, que veio a vencer. E para fechar este capitulo das equipas só mais uma anotação para a Bairrada que fechou com todos os atletas, com exceção do desistente João Maio, no primeiro terço da tabela classificativa.
Individualmente Marcelo Vieira voltou a mostrar que percursos roladores lhe são favoráveis não residisse na “planície” da Murtosa. Podia aqui falar de muitos outros corredores que tentaram a sorte como foram os casos de Vitorino Marques (Clube Ciclismo de Tavira), Micael Gonçalves (Contifiel Downifor), e Marcelo Salvador e Bruno Martins (Mato Cheirinhos /Liberty Seguros / Vila Galé mas esses acabaram por não conseguir o que queriam que era o triunfo.
Vou falar-vos do vencedor! Daniel Viegas, júnior de primeiro ano, fez exatamente o que havia feito o seu colega de equipa, Tiago Antunes, há um ano ao vencer na sua primeira corrida no novo escalão. Mostrou-se o mais forte e com uma melhor preparação naquelas quase três horas de prova.
Do que vi penso que teremos, tal como já referi, equilíbrio e espetáculo em 2015.
Começa a ficar muito grande a crónica não?!
Que venha o fim-de-semana para ver de novo os bravos do asfalto competirem!
Por Ricardo Dias


