Gaspar Gonçalves: “o ciclismo é a minha paixão e quero um dia ser alguém”
1- Em que altura da tua vida surgiu o ciclismo?
O ciclismo surgiu logo desde pequeno. O meu pai foi ciclista profissional durante 10 anos, e desde pequenino me fez gostar de bicicletas, mas apenas entrei para o ciclismo aos 14 anos, em cadete de 1º ano.
2- Quais os clubes que representaste e quais os aspetos positivos que adquiriste em termos de aprendizagem?
Apenas representei dois clubes, a Anicolor durante cinco anos e agora a Liberty Seguros/Carglass (Bike clube de Portugal). Na Anicolor fiz grande parte da minha formação, desde cadete a sub-23 de primeiro ano, onde aprendi muito e só tenho a agradecer a todas as pessoas que estiveram comigo lá, principalmente ao chefe Pedro Silva. No ano passado apareceu a oportunidade de representar a Liberty Seguros/ Carglass, tem sido uma experiência fantástica, com duas pessoas fantásticas a frente do clube, os chefes Manuel Correia e Luís Pinheiro, que estiveram sempre ao meu lado, nos bons mas principalmente nos maus momentos ao pé de mim, e que percebem de ciclismo como ninguém!
3- O ciclismo é um desporto de algum sofrimento, lidas bem com isso?
Sim, o ciclismo é dos piores desportos nesse campo (senão o pior) mas quando se gosta, quando se tem a paixão pela bicicleta, e quando queremos muito os resultados, o querer ultrapassa o sofrimento!
4- Onde vais buscar a motivação para correr?
Quando nós estamos bem temos resultados, não precisamos de muito, porque os próprios resultados dão essa motivação para treinar e correr. Mas quando os resultados não aparecem aí precisamos sempre de alguém e eu tenho muito a agradecer aos meus pais, os meus chefes e amigos que me apoiam sempre, nos bons e maus momentos…
5- Consideras essencial existir uma boa relação entre todos os membros da equipa?
Temos um ambiente muito bom na equipa, remamos todos para o mesmo lado, fora, e principalmente dentro das corridas, e a prova são os resultados que temos obtido!
6- Também consideras que o apoio da família é essencial?
O apoio da família é fundamental para o nosso rendimento, felizmente o meu é bastante, os meus pais fazem tudo para me dar possibilidade de ser alguém, não só no ciclismo, mas também como pessoa, sempre me deram todas as condições, vão ver grande parte das corridas, e estão sempre ao meu lado.
7- Como foi participar num Campeonato do Mundo Universitário?
Foi diferente, num país onde a cultura desportiva é pouca, pior no ciclismo. Mas foi engraçado e uma experiência que me vou sempre recordar.
8- Estavas a espera de ser campeão nacional de contrarrelógio ou foi uma surpresa?
Tendo no ano passado feito 2º e perdido 1min para o 1º classificado o José Neves, sabia que este ano ia ser muito difícil conseguir o titulo, admito que pensei muito nisso, mas sim foi um pouco surpresa.
9- Julgas que o teu futuro no ciclismo passa por Portugal ou ambicionas chegar a uma equipa estrangeira?
O meu sonho é correr lá fora, sei que não é fácil, mas vou continuar a trabalhar para um dia o conseguir.
10- Quem é o Gaspar como atleta e como pessoa? Existem muitas diferenças?
Algumas. Em cima da bicicleta, estamos nervosos e eu sou bastante, acabo por dizer e fazer coisas a “quente” que depois me arrependo. Como pessoa, acho que sou bastante amigo dos meus amigos, faço tudo por eles, e eles sabem que quando precisam eu estou lá para eles.
11- É fácil conciliar o ciclismo com os estudos?
Não, é complicado, especialmente na universidade. e nós (os sub-23) já estamos a um nível alto em que temos que despender muito do nosso tempo para treinar, e torna-se complicado ir às aulas e estudar, ainda para mais com o cansaço.
12- Em algum momento pensaste desistir do ciclismo em prol dos estudos ou vice-versa?
Sim, o meu principal objetivo é o ciclismo, é a minha paixão e quero um dia ser “alguém” nesta modalidade, já pensei várias vezes em deixar a universidade para me dedicar a 100% ao ciclismo, mas acabo sempre por não o fazer mesmo sabendo que vou demorar mais a acabar os estudos. Os meus pais sempre me disseram que era melhor ir fazendo do que parar, e talvez não recomeçar mais.
13- O que na tua opinião falta em Portugal, para o ciclismo evoluir?
Principalmente falta uma grande equipa, já não digo uma world tour, mas uma pro continental, que faça um calendário internacional, que faça grandes corridas mundiais.
Entrevistado por Inês Calvo.




