Crónica: “Crispim encrespou a concorrência”
Vila Nova de Milfontes recebeu a partida para a terceira prova da taça de Portugal de Juniores. 127 quilómetros esperavam os bravos jovens. Que ansiedade se via naqueles rostos à partida para mais uma prova, pois afinal tinham tido um contrarrelógio duro na véspera, talvez mais por ser longo do que propriamente pelo traçado.
Depois de voltas e voltas em torno da rotunda do farol eis que chegava o momento da partida. E que partida! Ainda estava a ser percorrido o primeiro quilómetro e vários ataques surgiam! Dos vários grupos que se formaram estavam lá Rafael Afonso, Luís Roque, Marcos Lopes, Fábio Tomaz, Pedro Silva, Paulo Silva, Bruno Coelho, João Barbosa, Hugo Nunes, Filipe Rocha, João Antunes, Tiago Anastácio, André Matos, Pedro Antunes e João Pinto. Alguns deles nem sequer conseguiram depois seguir com a fuga e acabaram por ficar de novo para trás mas a verdade é que vieram mostrar a camisola à minha câmara!
A fuga ganhou rapidamente uma grande vantagem para o pelotão que vinha praticamente parado. Foi sabendo dessa vantagem que os homens da frente aproveitaram para fazer um pouco de tudo! Desde fotos de conjunto até dedicatórias. Foi uma nova experiência. Parecia um passeio de cicloturismo tal era a descontracção vivida na fuga e no pelotão.
Foi sabendo da já larga vantagem que o grupo da frente trazia para o pelotão, cerca de quatro minutos, que a formação da Bairrada assumiu a dianteira do grande grupo. Começava assim um novo filme que várias vezes ia repetir-se. Pode ter sido curiosidade mas cada vez que chegava ao pelotão deparava-me com o Miguel Amorim a assumir a liderança. Foi um assumir de tal ordem que num espaço de poucos quilómetros acabou com a fuga que tinha surgido logo no arranque.
É já depois de termos o pelotão compacto que chega a vez de mais uma estreia para mim. Gravar ciclistas a furar! Não foi coincidência mas sim devido a alguns quilómetros de estrada que devido a obras provocou uma verdadeira saga de furos. Nunca tinha visto tanto furo em tão pouco tempo. Foram muito poucas as formações que escaparam ilesas a esta saga de furos.
Já depois de meio da prova estava tudo em aberto e tinham de começar os ataques à liderança do Tiago Antunes que venceu a 1ª e 2ª prova da Taça. Foi aproveitando a aproximação ao prémio de montanha que Jorge Marques tentou a sorte mas quem acabaria por passar na frente na contagem de montanha foi João Pereira.
Depois começava uma nova fase de prova e colocaram-se em fuga António Rocha, Jorge Magalhães, Venceslau Fernandes e Emanuel Rodrigues. Mais tarde outro grupo grande se formava numa segunda posição intermédia e onde estavam por exemplo André Carvalho, Pedro Preto e Alexandre Matos. Foi neste segundo grupo que surgiu aquele que viria a ser o grande herói do dia. André Crispim (Cartaxo) saltou do pelotão, rolou no primeiro grupo e não satisfeito decidiu ir em busca da frente da prova, algo que veio mesmo a acontecer.
André Crispim pedalava no grupo da frente quando recebeu indicações do seu diretor desportivo para atacar a prova. Sempre ouvi dizer “que a melhor defesa é o ataque”. Foi o que fez o Célio Apolinário ao lançar ao ataque o seu homem que tinha já feito quarta no contrarrelógio da véspera.
Com o ataque desferido pelo André fiquei à espera de uma reação conjunta do pelotão, algo que não aconteceu. Mais uma vez era a Bairrada, designadamente Miguel Amorim, João Maio, etc, a dar a cara ao vento, mas desta feita de uma forma inglória. O segundo grupo intermédio apanhava o primeiro grupo mas nunca mais apanhariam o André.
À meta chegou isolado André Crispim que teve tempo para fazer a descida final, de abordagem a Odemira, com tranquilidade. Foi atacar e vencer com dois minutos e 23 segundos para o segundo atleta, Alexandre Matos e para o terceiro Emanuel Rodrigues.
Desta feita a formação do cartaxo defendeu exemplarmente a liderança do Tiago Antunes e apesar de ainda faltar duas provas para a conclusão da Taça de Portugal “candeia que vai à frente ilumina duas vezes” ou então diria eu “roda que vai na frente tem vantagem certamente”!
Ricardo Dias


