Luís Mendonça: “senti que ainda teria uma palavra a dizer”

Luís Mendonça: Mas o “bichinho” do ciclismo nunca se perde, e senti que ainda teria uma “palavra a dizer” na modalidade”…

Fica a conhecer um pouco melhor a vida de Luís Mendonça, elite da equipa Sicasal/Constantinos S.A /Udo. A Inês Calvo foi a entrevistadora de serviço e recolheu respostas curiosas…

  1. Em que altura da tua vida surgiu o ciclismo e porquê?

“As primeiras pedaladas já começaram tarde, tinha 17 anos. Sempre adorei desporto, e fazia-o de forma descontraída, em que ia dar as minhas voltas de bicicleta depois da motivação que me dava assistir às grandes voltas na TV (risos). Por mero acaso conheci um grupo cicloturista. Comecei a comparecer aos treinos e vi que levava jeito para a modalidade.”

  1. Quais os clubes que representaste e quais os aspetos positivos que adquiriste em termos de aprendizagem?

“Basicamente representei três equipas; ASC Vila do Conde, em Júnior, Casativa, em sub23 e Spol, agora em Elite. A minha experiência de ciclismo é pouca, talvez menos que a de alguns sub23. Nunca fiz uma época completa devido à faculdade, e mesmo em sub23 apenas fiz um ano (no casactiva). Tudo que aprendi foi nestes últimos dois anos desde que regressei à modalidade depois de longa ausência.”

  1. A que se deveu essa ausência ? E o que te fez regressar?

“A faculdade falou mais alto. Coloquei os estudos em primeiro lugar… sempre tive bolsa de estudo por ser bom aluno, que me pagava praticamente todos os custos da faculdade, e não me poderia dar ao luxo de a perder.  Mas o “bichinho” do ciclismo nunca se perde, e senti que ainda teria uma “palavra a dizer” na modalidade.”

  1. Para quem começou tarde e tem menos experiencia do que muitos que andam na estrada, é uma vitoria ainda maior quando se ganha uma prova não?

“Sem dúvida, a minha experiencia no ciclismo é menor que a de alguns sub23 que já levam três e  quatro anos a competir no seio do pelotão profissional. Eu levo apenas dois anos neste patamar, tive que aprender tudo de forma mais rápida. Ganhar quatro corridas logo neste meu 2º ano na modalidade foi surpreendente e muito motivador. Apenas dois anos e a evolução foi enorme. Fico motivado em relação ao futuro, e muito curioso para ver até onde posso chegar.”

  1. Costumas treinar sozinho ou em grupo?

“Depende… preferencialmente em grupo quando os treinos são exigentes e longos, mas em dias de recuperação que impera o andamento suave, prefiro ir sozinho.”

  1. Consideras que treinar em grupo tem benefícios? Se sim, quais?

“Sem dúvida que sim… em treinos longos o tempo rola “mais rapidamente” e é mais fácil trabalhar intensamente, quando os treinos assim o exigem…  contudo é preciso ter cuidado nos dias de treino mais suave, facilmente nos excedemos na intensidade (risos).”

  1. Existe por vezes um excesso de intensidade porque? Estará relacionado com brincadeiras que possam haver?

“Por vezes existem uns ataques e umas brincadeiras de apenas poucos metros, que depois acabam em quilómetros de “festival” até o grupo ficar um a um todo semeado estrada fora. Se o dia é suave então tentamos cumprir, mas por vezes o grupo vai animando e a picardia instala-se com a adrenalina a falar mais alto (gargalhadas).”

  1. Na época passada representaste a Equipa “Concello do Porriño / Abanca”, e por conseguinte terás competido algumas vezes em Espanha, não?

“Sim, basicamente fiz todo o calendário a competir em Espanha… poucas competições realizei em Portugal, infelizmente.”

  1. A experiencia de correr lá fora, ajudou-te de alguma forma nas competições em Portugal?

“Sem dúvida, o nível competitivo em Espanha é elevadíssimo, com pelotões enormes, e muito homogéneos em termos de qualidade. Talvez a grande diferença para Portugal seja mesmo essa, aqui existe grande discrepância de valores no pelotão nacional… os bons, são muito bons, e os mais fracos fazem-se notar desde muito cedo numa competição.”

  1. Em 2016 irás representar a Equipa “Sicasal/Constantinos S.A /Udo”. Quais são as expetativas que tens?

“Sinceramente espero corresponder de forma positiva aos esforço que a Sicasal fez para me ter na equipa este ano. Condições não me irão faltar… e a melhor forma de mostrar essa gratidão pela oportunidade oferecida é deixar tudo na estrada. Isso é o mínimo que posso prometer.”

  1. Quando vais para uma prova com um objetivo e não o alcanças como te sentes?

“Claro que não é fácil treinar duro como treino sempre, chegar a uma prova e falhar. Mas quando se treina e cumpre diariamente sabemos que mais tarde ou mais cedo os resultados surgirão… por isso tento manter-me tranquilo, e continuar o dia-a-dia de trabalho duro.”

  1. Tens algum ritual antes ou depois das provas?

“Em termos de superstições não… já fui supersticioso quando era jovem e realmente vi que isso não dava em nada, apenas dores de cabeça…  Apenas tento estar focado antes da prova, concentrado, e talvez imaginar um pouco os possíveis desenrolar de corrida, adversários que poderão surpreender etc.”

  1. Achas que o teu futuro no ciclismo passa por Portugal ou ambicionas chegar a uma equipa do World Tour?

“World Tour penso estar fora de questão. Mas também se me perguntassem há dois anos se achava que iria ter os resultados que tive, eu não acreditaria. Nunca se sabe… mas por mim ter uma carreira sólida no ciclismo, e talvez ir para uma equipa internacional de segunda linha admito por vezes pensar nisso. Sonhar faz-nos criar ambição e motivação.”

  1. Por fim, quais os conselhos que podes deixar aos ciclistas ou aos jovens que pensam iniciar-se na modalidade?

“Posso dar o conselho da minha própria estória no ciclismo, que estudem e dêem sempre preferência aos estudos em detrimento do ciclismo, pois nunca é tarde para voltarem e viverem da modalidade. Não há nada como andar no ciclismo, e ter um curso superior como plano B. A cabeça anda mais tranquila, a segurança é maior, e até os resultados surgem com maior facilidade e naturalidade.”

 

 

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